segunda-feira, 7 de novembro de 2011

yellow diamonds in the light



Dedos curtos e delgados, confusos.
Minhas mãos, decididas, procurando as suas, achando-as, apertando-as.
Cabelos bagunçados, o suor, todas as cores do mundo fundidas naqueles olhos cansados, impenetráveis.

Lips like cheap candy. E eu só não conseguia parar

Oito anos massificados em um perído de duas horas ; e todos os sonhos perdidos se acharam assim, de uma só vez.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Eu gosto de andar de ônibus.



Apesar dos caminhos já decorados, das mesmas paradas, dos horários (quase sempre?) cumpridos, sempre tenho essa sensação de possibilidade. Talvez sejam as pessoas, as novas pessoas, entrando e saindo sem parar.

Hoje eu estava lá e percebi o quanto as coisas que me cercam me remetem á pessoas e a situações que vivi.
Calçadas me lembram sapatos que não vejo mais, praças me lembram beijos que não dei, bancos, coisas que esqueci ou não quis dizer.

E a praia? Uma vida inteira de lembranças vivas. Muitas das quais tento até hoje matar.
Talvez fosse o Arcade Fire nos meus fones, talvez fosse o calor, ou a visão do mar ao fundo.

Só sei que quando as coisas parecem muito reais, quando tudo se conecta e eu tenho essa plena sensação de que existo e participei de tanta coisa e da vida de tantas pessoas, sinto essa vontade imensa de fuder e destruir com tudo ao meu redor. Não sei muito bem lidar com essa pressão. Não é muito maduro, apenas a verdade.

Meu passeio durou pouco, logo tive que descer.
E começou a chover.

E sete horas depois, lá estava eu novamente.
E assim são as coisas, assim são os sentimentos ou pensamentos. Eles vem,eles vão.
Alguns sentam do seu lado e ficam durante muito, muito tempo. Algum encostam em você. Algumas vezes você gosta ; outras não.
Algumas vezes eles passam tão rápido que se você piscar, nem os vê. Outros você só consegue ouvir quando passam pela catraca da vida, aos trancos.

Mas a maioria, uma hora vai descer da sua vida.

Felizmente, somos nós quem decidimos em qual ponto.


terça-feira, 20 de setembro de 2011



Viver nada mais é

do que uma breve tentativa



de preencher o silêncio.

terça-feira, 6 de setembro de 2011



Em mais uma das minhas tardes perdidas caminhando sem rumo por aí, acabei indo parar em uma feira de artesanato qualquer. No centro dela, perto de um parquinho onde crianças escorregavam e se balançavam, um grupo de 4 meninas estava reunido, duas de pé, duas sentadas. Duas com violoncelos e duas com violinos.

Tive a impressão de que eram as pessoas mais sinceras que já vi na vida. Talvez por estarem brincando umas com as outras enquanto tocavam. Talvez por parecerem alheias as pessoas que passavam ao redor. Talvez pelo sempre "Obrigado!" sorridente quando alguém passava e despejava uma moeda no case aberto, bem em frente ao grupo.
E eu estava tão triste e saturado de todos os meus vícios auto-destrutivos da noite anterior que fiquei ali por um bom tempo. E depois de parte dele ter transcorrido eu fui perceber um rapaz, sentado, logo atrás delas. Tinha uma maleta no colo e anotava insistentemente alguma coisa qualquer em um papelzinho que apoiava sobre ela.
Me apaixonei por todos eles. Pela garota alta de expressão séria, pela baixinha que parecia tentar segurar o riso, pela que andava com os olhos fechados e pela outra que sempre começava todas as músicas. E por esse menino cheio de espinhas e cabelos rebeldes que me olhava com uma curiosidade estranha ; acho que pelo meu óbvio interesse naquilo que eles estavam fazendo.

Eu só tinha três reais na carteira, então foi tudo o que pude dar. Elas me agradeceram e eu saí quando algumas músicas começaram a se repetir, sentindo um aperto no coração. É difícil ter de terminar alguns momentos, mesmo que os mais simples, quando eles são tão especiais.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

no name #5



Durante toda a minha infância, o apartamento que dá de frente para o meu quarto se manteve fechado. Não vago ou vazio. Fechado. Minha mãe sempre me contava que a dona era uma velha que por motivos desconhecidos, um dia trancou tudo e nunca mais voltou. Pagava o aluguel e as contas necessárias, mas nunca de fato voltou. O apartamento, mobiliado, era para mim como uma casa fantasma ; através das janelas que a cada dia ficavam mais sujas eu podia ver os sofás marrons na sala ao fundo, os ladrilhos da cozinha e os potes de semente esverdeados perto da janela. Aos poucos fui me acostumando com aquela visão monótona, sempre a mesma janela e sempre o mesmo pó, cada vez mais denso.

Já na minha adolescência, de um dia para o outro, me deparei com uma das janelas abertas. Foi um choque, um choque estranho, já que aquilo pouco significava na minha vida. Foi minha mãe quem novamente me esclareceu algo sobre aquele lugar : a tal velha havia morrido e a filha resolvido alugar o lugar. Desde então, uma série de pessoas veio a viver ali, e de certa forma, a viver comigo. Primeiro um jovel casal que vi muito pouco. Meses depois, uma família evangélica. Mais meses se passaram e o apartamento ficou em silêncio novamente.
Em um verão qualquer, comigo quase entrando na vida adulta, acordei com vozes altas, pessoas conversando. Abri a janela e percebi uma movimentação por todo aquele apartamento. Mais uma mudança. Mas depois de tantas mudanças e tantas pessoas, aquilo já não era mais tão interessante assim para mim, minha curiosidade infantil já havia morrido com o tempo.

Acho que demorou 1 mês até que algo me chamasse a atenção para o assunto novamente. Em mais uma manhã, acordei com um som estranho, gritante. Alguém estava afinando um violão. Sei como é o som porque anos antes tentara, com amigos, montar uma banda e para tal comprei um violão, então o som me era familiar. Me arrastei pela cama e através das frestas da janela, tive uma visão parcial da janela de um dos quartos, que fica exatamente em frente a janela do meu. Lá, observei um rapaz sentado na cama, com as pernas cruzadas e olhos atentos nas cordas do instrumento. Tinha os cabelo curtíssimos e de um loiro escuro que refletia a luz do sol que atravessava o vão entre nossas janelas. Fazia muito calor e ele, sem camiseta, passava frequentemente a mão pelo pescoço ; com isso pude perceber uma tatuagem na parte interna do braço. Pelos traços e atitudes, não passava dos 21 anos. Torcia os dedos dos pés conforme tocava algumas notas soltas. A cabeça acompanhava o som enquanto os olhos se mantinham fechados e a boca estalava sons ritmados. Mas de repente esse novo estranho amigo se levantou e saiu do meu campo de visão, me deixando sozinho com minha curiosidade.

Através das semanas notei que os novos moradores se tratavam de estudantes de uma faculdade qualquer. duas meninas e um menino. Elas ,morenas, pareciam irmãs de tão parecidas. Sempre com roupas curtas, "shortinhos", "blusinhas". Sempre carregando cadeiras de praia, sempre falando alto. O rapaz não parecia ser daqui. Louro e pálido, parecia ter caído de pára-quedas nesse inferno que é essa cidade no verão. Estava sempre avermelhado, parecendo castigado pelo sol caiçara, mesmo quando o mesmo não dava as caras pelos céus.
Aos poucos, fui me acostumando à eles. As meninas gostavam de músicas detestáveis mas pareciam boazinhas. Viviam no telefone e usavam a janela da cozinha para fofocar. As vezes podia ouvir conversas inteiras. Elas não pareciam se importar que os vizinhos soubessem de suas bebedeiras e desamores. Do rapaz, pequenos detalhes foram surgindo aos poucos : suas costas sardentas que um dia pude ver (não com tanto orgulho assim) enquanto ele dormia de bruços, esquecido da janela aberta. Seu gosto por suco natural,que batia no liquidificador todas as tardes. E os objetos em seu quarto me davam pistas sobre sua personalidade : um skate encostado na parede. Um computador que estava sempre ligado, no lado oposto do quarto. E um tênis, igual ao meu, quase escondido embaixo da cama. E todas as manhãs, sem falta, ele acordava e tocava algumas músicas em seu violão velho e cheio de colantes grudados. E todas as manhãs eu acordava com aquele som e, aos poucos, ele, o rapaz sem nome, passou a fazer parte da minha vida de certa forma.
Um dia, depois de uma centena de manhãs, finalmente reconheci algo em seu repertório. Conhecia a música que ele tocava. E sabia tocar. Meio que num impulso, pulei da cama e iniciei uma busca desesperada pelo meu próprio violão. Arranquei-o do armário e me coloquei sentado na cama, do lado da janela. Sonolento, fiquei momentos tentando lembrar o nome da música. "Pais e Filhos", Legião Urbana. Meu coração estava disparado e eu sentia como se estivesse vivendo um momento decisivo em minha vida. Achei graça de mim mesmo e comecei a rir. Mas ainda estava tenso.
Pode ter sido o sono interrompido bruscamente mas algum tipo de coragem repentina surgiu e eu, o mais alto que pude, comecei a tocar os mesmos acordes que ele tocava. Houve um momento de silêncio. Tive então um momento de pânico, esperando ele gritar ou algo assim. Pareceu-me uma eternidade. Mas segundos depois, ele recomeçou a música. E eu o segui, dessa vez tocando mais baixo... E mais tranquilo, com o contato agora estabelecido. Eu tocava extremamente mal, cheio de erros e fora do compasso. Não estava com a cabeça em mim, e sim do lado de fora. Percebi então que ele estava cantando também, bem baixo. Tive a impressão (ou fantasia) de que tentava me ajudar. Não cantava bem, a voz era grossa e meio embargada. Mas pude perceber que gostava da música, e isso basta, me bastava. Logo, a música acabou. Ouvi vozes vindo do quarto dele. Alguém tinha interrompido nosso show.
Isso veio a acontecer cerca de outras sete vezes. Em três delas, ele tocava uma música, depois eu outra. Eram espetáculos de menos de 10 minutos onde a graça era estarmos fazendo a mesma coisa, no mesmo lugar, do mesmo modo. Nunca tive coragem o suficiente para erguer o corpo e olhar para ele. Nunca tive coragem de me expressar de outra forma. Sempre tinha a impressão de que aquilo, aquela conexão, duraria para sempre, mesmo que isso não fizesse sentido algum.

Mas cerca de duas semanas depois da nossa última manhã, dei falta de algumas coisas dentro do quarto dele. O computador e o skate. Só a cama restara. E suas bermudas de praia, que sempre estavam secando na janela, haviam desaparecido para sempre do varal. Só via as duas meninas, e o fato de sempre vê-las e ele não me deixava com uma certeza óbvia. Logo, coincindindo com o frio que se aproximava, de uma hora pra outra, de um dia para outro, a casa toda se fechou novamente. E novamente, só o que se via eram os móveis através das janelas, que eram novas, mas que me passavam o mesmo sentimento de solidão que as antigas me passavam.

Até hoje, anos depois(Cinco, mais especificamente), me arrependo de não ter saído deste quarto,descido as escadas, atravessado o estacionamento, subido os três degraus que dão para o prédio dele, tocado no apartamento 203, subido as escadas, ter batido na porta e assim que ele abrisse, ter me apresentado. Eu não sei como ele me receberia. Não sei se era um cara legal, não sei se nos daríamos bem.
Por que estou contando isso hoje? Cerca de uma semana atrás, estava sentado no banco de um ônibus. Chovia muito e eu estava perdido olhando através da janela. O ônibus parou em determinado ponto e meus olhos bateram em alguém que estava do lado de fora, conversando com alguém, embaixo de um guarda-chuva. Era ele. O cabelo estava maior, assim como os braços e as pernas. Ele não era mais aquele menino que morava ao lado. Mas eu sei que era ele. Coincidência ou não, tive essa certeza quando ele passou a mão pela nuca ; gesto que me levou de volta para aqueles dias de verão. Logo o ônibus partiu e eu tive a impressão que por um lapso de segundo, ele olhou para mim ,através daquele vidro embaçado. E logo, ele havia desaparecido de novo... Tão rápido quanto tinha aparecido e sumido da última vez.

Fiquei dias com isso na cabeça. Pendurado na janela, passei a semana fumando,ouvindo nossa primeira música e olhando para a casa, agora ocupada por uma família cheia de crianças. O quarto que era dele agora é um quarto rosa cheio de bonecas. Não aguentando mais, desabafei com uma amiga sobre tudo isso, sobre meu olhar infantil através das janelas, sobre a família evangélica, sobre os shortinhos e blusinhas, sobre as sardas, sobre Legião Urbana, sobre minha falta de coragem e sobre os olhos apertados e coloridos que eu tive a impressão de terem me notado naquele dia chuvoso. Depois de me ouvir, ela me disse uma coisa que eu nunca, nunca tinha cogitado antes. "Ele viveu ao seu lado por meses, onde você o observou o tempo todo. Sabia de tudo o que ele fazia e sobre todos esses detalhes... Como você sabe que ele não sabia de tudo isso ou melhor - que não te observava também? "



Não pude deixar de sorrir.



domingo, 28 de agosto de 2011

Poucas vezes me sinto tão confortável tanto quando olho para a mesinha aqui e vejo um maço cheio de cigarros e sei que tem uma garrafa de vodka cheia em algum lugar da casa.

sábado, 6 de agosto de 2011


Tenho esse complexo de Super-Man e o mais difícil é quando chego no topo do prédio com minha capa esvoaçante e a pessoa em perigo não quer ser salva.







Não por mim.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

rehab


Sobre os beijos não devolvidos,
Sobre os abraços não-apertados,
Sobre os olhares não trocados,
Sobre o tanto que tentei, não julguei,
Sobre o tanto que me apaixonei.


Sobre a mágoa que fica, e sem causa,
Sobre a falta de valor,
Sobre o quão longe terei que ir pra esquecer,

Sobre o que pensei,
Jurei,
Senti,

Sobre o que não vou chorar,
Sobre o que vou enterrar
Sobre o que vou fingir que não aconteceu.

Sobre, pela última vez, ter tentado.

domingo, 31 de julho de 2011

wild horses


Eu queria ser um príncipe encantado.
Mas nunca fui, nem nunca vou ser. Sempre fui e sempre vou ser o lenhador desgarrado. Engraçado que eu tenho o senso de proteção, o senso de justiça, mas não sinto que pertenço ao castelo, não me enquadro na guarda. Sou recluso, apaixonado, mas recluso. Tenho minha cabana e sou feliz assim.

Minhas princesas estão presas, longe de mim. Todo mundo sabe que eu existo mas me escondo entre as árvores.
Sou violento, soco e mordo, sou assim, sem orgulho, mas sou assim.

Meu cavalo é sujo, negro e manco. Não tenho tanto ouro assim. Nunca achei seu sapatinho. Só o que tenho pra te oferecer é esse amor puro e não caótico, esse prazer, essa liberdade. Não sou de falar. Você fala por mim. Com seus olhos azuis, seus lábios pequenos, seu jeito de me olhar.

Eu vou erguer uma taça para você, agora. Desejando que algum dia você perceba, sonhe, pense, veja, realmente, como eu sou e como eu quero você.


E essa é apenas mais uma das cartas de amor que algum dia escrevi para você.


terça-feira, 19 de julho de 2011

celest.ica



As cinzas deixadas no cinzeiro, as meias esquecidas, as taças de vinho espalhadas pelo chão. O travesseiro agora perfumado, os fósforos riscados. Lembranças físicas de um ontem, quase hoje. Não quero me livrar desses traços. Sentimento inútil, esse. Momentos assim não se perdem mais, mesmo sem a presença desses rastros emocionais.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

FURY


Dentro de mim eu sinto arder um fogo sem fim. É como se alguém tivesse ligado uma fornalha dentro de um porão pequeno e frio e de repente tudo começasse a esquentar ao meu redor. Eu me tornei uma pessoa impaciente. Não no sentido negativo... Eu só sei o que quero, quando e como.

Eu quero isso.
Eu quero aquilo.
Eu quero você. E tem que ser agora.

Eu tenho certezas, tantas certezas, que me deixam desesperado as vezes por não ter mais o conforto da dúvida, da necessidade de precisar de um tempo para pensar.

Meu pessimismo continua, meus traumas e dores também, mas eu sinto uma necessidade louca de arriscar. Tudo é um risco, tudo é um desafio, tudo é uma emoção. E eu gosto disso.


segunda-feira, 4 de julho de 2011



Não consigo parar de desenhar, de escrever, de falar, de andar. Tem algum tipo de energia me alimentando e eu quero mais e mais e mais.

É doloroso sonhar com situações que nunca aconteceram envolvendo pessoas que já não existem mais. Ainda mais se envolve palavras que não foram ditas, se envolve coragem. Acordo com uma bizarra sensação de prazer por ter revivido bons momentos e culpa, por não ter feito acontecer, realmente.

terça-feira, 28 de junho de 2011


O mundo me parece em 3D, agora.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

2hearts



Normalmente nos conectamos apenas com nossa própria dor. Até sabemos que as outras pessoas sofrem, que choram, mas nos parece um sentimento distante, diferente. E quando finalmente conseguimos sentir a dor dos outros, ao mesmo tempo em que lamentamos, acabamos sentindo uma pontinha dessa tristeza partilhada/ felicidade egoísta, que sentimos quando percebemos que não somos assim tão únicos nesse mundo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

rage&love




Ultimamente tenho ouvido sempre a mesma coisa das pessoas que encontro pela vida e que não me viam há certo tempo. Sempre me olham e dizem, "Nossa, você está tão diferente". Meu primeiro impulso é pensar no óbvio, no que "grita" por fora. Digo o quanto emagreci, que meu cabelo mudou, que me visto de forma diferente. Em troca, sempre ouço um, "Ah sim, mas tem outra coisa...". E isso me intrigava, mas depois de alguns minutos de conversa, acabava deixando pra lá. Até outro dia.
Encontrando com um amigo que me conhece há muitos anos, aconteceu novamente a mesma coisa. O mesmo comentário, e eu com a mesma resposta... Mas ele se aprofundou. Disse que eu pareço mais agressivo, como se eu estivesse decidido, e antes, não.
"Agressivo". Na mesma hora me identifiquei com a palavra. Eu me sinto exatamente assim, só não sabia exatamente como me expressar, qual palavra. Não agressividade no sentido físico; mas psicológicamente, eu sinto isso. E isso deve transparecer através de algumas pequenas atitudes também.

Eu sempre fui de mudar, de me transformar. Acho que a minha forma de auto-defesa sempre foi a reinvenção. Só que talvez pela primeira vez eu encare isso como uma coisa positiva e não como uma fuga. Eu me sinto novo mas sem deixar de ser e sem esquecer o que já fui e tudo o que um dia já vivi.