Em mais uma das minhas tardes perdidas caminhando sem rumo por aí, acabei indo parar em uma feira de artesanato qualquer. No centro dela, perto de um parquinho onde crianças escorregavam e se balançavam, um grupo de 4 meninas estava reunido, duas de pé, duas sentadas. Duas com violoncelos e duas com violinos.
Tive a impressão de que eram as pessoas mais sinceras que já vi na vida. Talvez por estarem brincando umas com as outras enquanto tocavam. Talvez por parecerem alheias as pessoas que passavam ao redor. Talvez pelo sempre "Obrigado!" sorridente quando alguém passava e despejava uma moeda no case aberto, bem em frente ao grupo.
E eu estava tão triste e saturado de todos os meus vícios auto-destrutivos da noite anterior que fiquei ali por um bom tempo. E depois de parte dele ter transcorrido eu fui perceber um rapaz, sentado, logo atrás delas. Tinha uma maleta no colo e anotava insistentemente alguma coisa qualquer em um papelzinho que apoiava sobre ela.
Me apaixonei por todos eles. Pela garota alta de expressão séria, pela baixinha que parecia tentar segurar o riso, pela que andava com os olhos fechados e pela outra que sempre começava todas as músicas. E por esse menino cheio de espinhas e cabelos rebeldes que me olhava com uma curiosidade estranha ; acho que pelo meu óbvio interesse naquilo que eles estavam fazendo.
Eu só tinha três reais na carteira, então foi tudo o que pude dar. Elas me agradeceram e eu saí quando algumas músicas começaram a se repetir, sentindo um aperto no coração. É difícil ter de terminar alguns momentos, mesmo que os mais simples, quando eles são tão especiais.