Eu queria ser um príncipe encantado.
Mas nunca fui, nem nunca vou ser. Sempre fui e sempre vou ser o lenhador desgarrado. Engraçado que eu tenho o senso de proteção, o senso de justiça, mas não sinto que pertenço ao castelo, não me enquadro na guarda. Sou recluso, apaixonado, mas recluso. Tenho minha cabana e sou feliz assim.
Minhas princesas estão presas, longe de mim. Todo mundo sabe que eu existo mas me escondo entre as árvores.
Sou violento, soco e mordo, sou assim, sem orgulho, mas sou assim.
Meu cavalo é sujo, negro e manco. Não tenho tanto ouro assim. Nunca achei seu sapatinho. Só o que tenho pra te oferecer é esse amor puro e não caótico, esse prazer, essa liberdade. Não sou de falar. Você fala por mim. Com seus olhos azuis, seus lábios pequenos, seu jeito de me olhar.
Eu vou erguer uma taça para você, agora. Desejando que algum dia você perceba, sonhe, pense, veja, realmente, como eu sou e como eu quero você.
E essa é apenas mais uma das cartas de amor que algum dia escrevi para você.