domingo, 31 de julho de 2011

wild horses


Eu queria ser um príncipe encantado.
Mas nunca fui, nem nunca vou ser. Sempre fui e sempre vou ser o lenhador desgarrado. Engraçado que eu tenho o senso de proteção, o senso de justiça, mas não sinto que pertenço ao castelo, não me enquadro na guarda. Sou recluso, apaixonado, mas recluso. Tenho minha cabana e sou feliz assim.

Minhas princesas estão presas, longe de mim. Todo mundo sabe que eu existo mas me escondo entre as árvores.
Sou violento, soco e mordo, sou assim, sem orgulho, mas sou assim.

Meu cavalo é sujo, negro e manco. Não tenho tanto ouro assim. Nunca achei seu sapatinho. Só o que tenho pra te oferecer é esse amor puro e não caótico, esse prazer, essa liberdade. Não sou de falar. Você fala por mim. Com seus olhos azuis, seus lábios pequenos, seu jeito de me olhar.

Eu vou erguer uma taça para você, agora. Desejando que algum dia você perceba, sonhe, pense, veja, realmente, como eu sou e como eu quero você.


E essa é apenas mais uma das cartas de amor que algum dia escrevi para você.


terça-feira, 19 de julho de 2011

celest.ica



As cinzas deixadas no cinzeiro, as meias esquecidas, as taças de vinho espalhadas pelo chão. O travesseiro agora perfumado, os fósforos riscados. Lembranças físicas de um ontem, quase hoje. Não quero me livrar desses traços. Sentimento inútil, esse. Momentos assim não se perdem mais, mesmo sem a presença desses rastros emocionais.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

FURY


Dentro de mim eu sinto arder um fogo sem fim. É como se alguém tivesse ligado uma fornalha dentro de um porão pequeno e frio e de repente tudo começasse a esquentar ao meu redor. Eu me tornei uma pessoa impaciente. Não no sentido negativo... Eu só sei o que quero, quando e como.

Eu quero isso.
Eu quero aquilo.
Eu quero você. E tem que ser agora.

Eu tenho certezas, tantas certezas, que me deixam desesperado as vezes por não ter mais o conforto da dúvida, da necessidade de precisar de um tempo para pensar.

Meu pessimismo continua, meus traumas e dores também, mas eu sinto uma necessidade louca de arriscar. Tudo é um risco, tudo é um desafio, tudo é uma emoção. E eu gosto disso.


segunda-feira, 4 de julho de 2011



Não consigo parar de desenhar, de escrever, de falar, de andar. Tem algum tipo de energia me alimentando e eu quero mais e mais e mais.

É doloroso sonhar com situações que nunca aconteceram envolvendo pessoas que já não existem mais. Ainda mais se envolve palavras que não foram ditas, se envolve coragem. Acordo com uma bizarra sensação de prazer por ter revivido bons momentos e culpa, por não ter feito acontecer, realmente.